Brumas de Sangue || A História de Velynian



Olá a todos, e bem vindos ao Construindo Mundos. Essa seção do Grimório de Idéias com artigos sobre os cenários do site. Esse artigo aqui é a introdução da introdução, você vai poder entender melhor entrando nesse link aqui. Esses artigos são o que você precisa pra entender o cenário e poder utilizá-lo com o seu sistema de RPG preferido. O artigo de hoje é sobre a história de Velynian, o mundo do cenário Brumas de Sangue. O que aconteceu antes do momento atual, o que levou ao que está acontecendo agora. E é claro, as lacunas, para os que entendem de RPG, estão lá, para serem preenchidas. Cada parte da história será dividida ainda em artigos menores. O hub está no link acima. Por aqui você poderá ver as descobertas históricas pelo ponto de vista de pessoas nascidas dentro do universo, a percepção deles de como tudo ocorreu. Spoiler, eles não estão muito errados.



A História de Velynian

Pré-História (Trecho retirado de “Proto-Mundo”, por Noel Carlos Suóson)

“E então nós viemos do sangue desses deuses. Eu digo, literalmente, como vocês podem ter notado. A bruma que nos cerca, é também aquela que fez com que a semente fecundasse e se tornasse tudo o que domina Velynian.

Isso tudo hoje é muito claro. A bastante tempo. Isso é senso comum, já. Algo trivial. Não foi assim desde sempre. Quando a última semente morreu, e só caminhava por Velynian aqueles que fecundaram, apesar de ainda nos denominarmos, curiosamente, de sementes, os Valardianos acharam por bem nos contar de nossa origem. Mas seria muito pouco dramático se eles mesmos descessem de sua infindável briga em outra realidade, apenas para nos dizer de onde viemos. Eles mandaram seus oráculos e conselheiros, chamados Sibis.

Déstopo era o que alertava os detalhe do passado e exaltava as glórias da civilização que eles levantaram. Um tradicionalista, diga-se de passagem. E para que as coisas não ficassem muito confusas, ele foi enviado para nos alertar, unto com seus colegas, e irmãos, mas foi designado que ele falasse apenas com as sementes de SunKen, as sementes de Blasto, e as sementes de Bosoldo. Uma cainhada e tanto, se vocês querem saber! O abismo não é um lugar onde fracos podem entrar como querem. Mas os Sibis não são fracos.

Horátio tinha o dever de alertar o que acontecia em volta, naquele exato momento, manifestando claras tendências à onividência. Nada que possa ser confirmado, claro. Ele passou bem longe da Montanhese na sua peregrinação. Os escolhidos foram as sementes tão imediatistas quanto ele. As sementes de Amilfrot, as sementes de Megara, as sementes de Taifot e as sementes de Gotarth, foram as que receberam a notícia divina advinda de sua boca.

Bonfágio tem por característica ser muito criativo, um tanto quanto aluado, me lembra certas pessoas que conheço, diga-se de passagem. O mais próximo de nós todos, velynianos, eu imagino. Ele vê os augúrios, os presságios dos deuses. Coisas que devem ser feitas para que eles ganhem a Primeira Batalha contra a família escarlate. As sementes que ele visitou foram as que traziam esse traço criativo, construtor, de fazer coisas que ficariam para a posteridade, um tempo que ainda não chegou, mas que ainda assim denota passado, apesar de ser o presente de quem o faz. Nós, as sementes de Melizan, também as sementes de Dowoth e as sementes de Kardanith, curioso que ele tenha visitado apenas sementes de deusas, foram os que receberam a notícia por ele.

Cada qual com o seu floreio, eles nos contaram a história que já estamos careca de saber. Um mundo com soldados para enfrentar os soldados da família escarlate, os três Balrogs de Bosoldo no centro de Velynian, a camada dos anões, e por fim, a Bruma que nos cerca e nos dá poderes. Hoje levamos isso como parte do nosso cotidiano, mas imagina que loucura seria para aqueles que ouviram isso pela primeira vez? Eu pagaria para ver a cara de nossos ancestrais nesse momento! Quantos numos fossem!”

História Antiga (Trecho retirado de “Dai-Rekishi”, por Daigon Kotaro)

“Após a formação do mundo, e da divisão dos dois continentes, os Deuses Valardianos povoaram essas terras com as sementes, e também as suas nêmeses, as quimeras, como é sabido. E naquela época as sementes, todas elas não tinham chance alguma contra qualquer uma das feras.

As quimeras eram fusões de duas ou três criaturas de Valárdia, o mundo explodido dos nossos Deuses. E essa também é a explicação para as criaturas que servem de alimento para todos os frutos. Tantos os nêmeses quanto os nossos alimentos tiveram sua contraparte em Valárdia. Ao menos na mente do povo. É o que imaginamos.

O nosso calendário misto global conta a partir do dia em que os Deuses Valardianos começaram a derramar suas sementes em Velynian, e muitas raças se desenvolveram a partir disso. Cada um em sua própria velocidade. A velocidade disso dependia muito das características do Deus-Pai, ou Deusa-Mãe. As raças que mutavam menos se desenvolveram primeiro e ficaram assim desde então. Sabemos que esse é o caso dos anões e dos gigantes, filhos de Blasto, o Incansável, mas a primeira raça a surgir fora feita da semente de Megara, a Amorosa. Os Shiitani, singular Shiitan, que também receberam o nome de Djinni do Fogo, foram jogados no abismo por Megara, para florescerem do lugar mais profundo do mundo para a superfície, e já foram expelidos frutos das bocas dos vulcões.

As outras raças foram mutando em velocidades variadas, e as últimas foram os conquistadores gnomos, frutos de Melizan, a Seminal, e os humanos de Kardanith, a Observadora.

Todos os frutos de Kardanith merecem uma citação especial pela sua peculiaridade. Eles se parecem muito, mas estão sempre sujeitos a pequenas mudanças, algumas que nem fazem com que mudem de raça. Mudanças que aconteceram depois de se tornarem frutos de sua Deusa. Os frutos da Observadora são os que possuem os tamanhos mais variados, as cores mais diversas e são os mais sujeitos a doenças fatais, o que imaginamos que tenham a ver com esse fato de estarem sempre em constante mudança.”

História Recente (Trecho retirado de “New Formation of Nations”, por Theodore Solomon)

“Gwaco, a joia velha do Império Santagar foi o primeiro reino a ser fundado no continente de Vortúmbria. E até que um elfo de Setsuri diga o contrário, é o reino mais velho de todo o mundo. O reino que se ergueu bem antes dos infames muros de Run e dos Reinos da Magia. Ainda existiam sementes, muitas delas, caminhando pelo continente quando Gwaco se erigiu poderosa, para ser derrotada por Aldbert IV, o Expansionista.

Desde Gwaco, muitas coisas aconteceram, com toda a certeza, e vimos a aurora e a queda da Era das Brumas no meio disso. Sim, dominamos o uso desse poder que está a nossa volta, e o domínio dessa Brumas, imposta pelos deuses, surgiu essa massa de destruição, chamada Arcana. Aquilo que nós usamos de todas as formas. Um presente oculto dos Valardianos para nós, para que tivéssemos chances de vencer as quimeras, quando estivéssemos prontos para descobrir esse poder.

Usamos isso de muitas formas hoje, as quimeras ainda estão aí para serem mortas, ou enviadas para Murodan. Mas usamos também para o nosso entretenimento. Não é difícil ver guerreiros renomados duelando em coliseus. Batalhas campais dentro das arenas hoje é uma trivialidade, por causa desses nossos poderes. É raro morrer, mesmo com toda essa nossa selvageria. Eu imagino que os Valardianos adoram isso, já que somos seus soldadinhos, então eles não vão interferir nisso de forma alguma, pelo contrário. Quanto mais parrudo ficamos, mais os sorrisos deles se alargam.

Pela história que os mensageiros trigêmeos contam eles viviam no mundo de paz, no mundo deles, e isso só faz essa história de guerra infinita mais estranha ainda. Como ficaram tão belicosos?

Bom, depois do desastre que gerou o Deserto de Abkham-Traster, foi o quer estou para o Império Santagar. O Coliseu. Não tem como expandir mais do que conseguimos, e acho que, realmente, já passou do suficiente. Devemos cuidar das nossas coisas internas a partir de agora. Só precisamos nos consolidar perante nós mesmos.”


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