Não Coma a Casa de Doces


Essa é a história de uma família que morava em uma floresta de uma cidade pequena no Sul da Alemanha. O pai da família era um lenhador chamado Hans e trabalhava incansavelmente todos os dias pra tentar colocar a comida na mesa de sua família, que ainda contava com uma madrasta chamada Apolline, que tomava conta da casa e dos dois filhos. O mais velho era Hansel, que de vez em quando ajudava seu pai a pegar lenha. E a mais nova se chamava Gretel e era obrigada a suportar as broncas de Apolline o tempo inteiro enquanto os homens da casa estavam fora. Todos tinham aspectos germânicos, com Olhos azuis e cabeleira loira, menos Apolline que trazia uma trança escura e seus olhos eram cor de avelã. Olhos esses que incessantemente botavam medo em Gretel. 

Seria uma manhã como qualquer outra, se Hansel não tivesse terminado de brincar com sua irmã um pouco antes, já que ia pegar madeira com seu pai. Hansel ia entrando na casa quando reparou que seu pai discutia com a madrasta. 

- Não farei isso, Apolline! Que pai seria eu se me desfizesse dos meus filhos como se eles fossem lixo? 

- Mas não temos condições de manter nem a nós mesmo! O que faremos para que seus filhos possam viver se não os soltarmos na floresta? 

- Tem de haver outra maneira! Penso eu que você tem condições o bastante de perceber o quanto isso é desumano. Duas crianças nessa floresta perigosa e sem nenhuma proteção. 

- Você não tem escolhas Hans! Você quer viver? Você quer salvar a sua vida? Então é isso que tem que fazer! Amanhã sairemos quando o sol estiver bem alto no céu e deixaremos esses meninos no meio da floresta. 

Hansel correu em direção ao quarto em que ficava com sua irmã que estava brincando de boneca naquele momento e lhe contou tudo que havia ouvido. Partiu o coração de Hansel a expressão que sua irmã fez após ele terminar o relato. 

- O que faremos, irmão? Estamos condenados a morrer nas mãos dessa mulher horrível! - Gretel cobria o rosto com a mão tentando abafar o choro, mas não estava sendo muito efetiva! 

Hansel esperou ela terminar de chorar e levantou sua cabeça segurando seu queixo. - Gretel, vamos dar um jeito. - Com um sorriso no rosto ele limpou uma lágrima que caía do rosto de Gretel com a costa da mão. - Vou pegar umas pedrinhas no nosso quintal antes de sairmos amanhã. Faremos uma trilha e voltaremos a salvo. 

Foi justamente o que aconteceu. Na manhã seguinte Hansel pegou pedrinhas no quintal e as enfiou no bolso e elas ficaram lá por toda a manhã enquanto ele e Gretel tentavam agir normalmente. Chegou o momento de eles serem abandonados na floresta e quase que Gretel deixa escapar um soluço. Hansel segurou sua boca no ultimo momento fazendo sinal com a mão para que sua irmã continuasse calada. 

Em algum momento na andança pela floresta embrenhada de árvores que se encurralavam umas nas outras tornando as copas de suas folhagens uma coisa só. Uma coisa linda de ser ver. Enquanto Hansel e Gretel se admiravam com aquela bela visão da natureza seu pai e sua madrasta se afastou o bastante para ficarem fora de vista e assim Hansel e Gretel ficaram sós na floresta. Gretel ia começar a se desesperar quando Hansel apontou para o chão e assim sua irmãzinha percebeu que as pedrinhas estavam formando uma trilha que eles seguiram por alguns minutos até perceber que as pedrinhas haviam sumido e ao olharem ao redor viram que os pequenos animaizinhos as tinham retirado todas da trilha pra fazer suas tocas e ainda retiravam as seguintes. 

Agora sim Gretel tinha começado a chorar e Hansel batia em sua cabeça. – Burro, burro! - E agora ele não tinha nada que pudesse o ajudar a voltar pra casa. O que ele poderia fazer agora era andar até achar a casa de seu pai. 

Eles andaram e andaram e deram de cara com uma casa estranhamente colorida. Eles se aproximaram e repararam que a casa feita de chocolate. Os adornos e enfeites também eram doces e com a fome da caminhada Hansel e Gretel não pensaram duas vezes e comeram todos os adornos da janela e a porta da frente da casa. E assim que terminaram de comer a porta da frente, um vulto alto apareceu e os puxou para dentro. Era um velho de barba muito comprida e com um sorriso cheio de dentes amarelos. 

- Olhe só querida o que eu achei na porta de casa! 

Uma senhora de cabelos alvos e encaracolados apareceu e deu uma risada aguda que doeu no coração dos dois meninos. 

- Entrem crianças. Vocês estão em nossos domínios agora! Você, garoto! – Ela disse apontando para Hansel. – Se dirija até a cozinha e entre na cela que temos preparadas para pessoas como você! Comilonas. 

Como se não tivesse mais vontade própria, Hansel se dirigiu para um lugar quente o bastante para queimar sua pele, se não estivesse sobre o provável poder do encanto que a velha tinha lançado sobre ele. Sua irmã foi feita de escrava pela velha mulher que entrando com a menina de baixo do seu braço a conduzia a uma caldeira a fez cozinhar até se cansar dias e noites a fio a fim de reconstruir a casa para que talvez mais crianças perdidas achassem o local e fossem feitas de comida para os dois velhos que ali moravam. 

Hansel era mantido preso para que engordasse e servisse de almoço aos velhos e também à Gretel que assim que seu irmão morresse seria a próxima. “Resista Gretel! Daremos um jeito”, seu irmão sempre dizia quando a via chorando na cozinha. 

Hansel já sabia a rotina da casa depois de ficar preso naquela cozinha infernal por semanas. O dia começava com a velha acordando e indo à cozinha preparar o café da manhã do velho, que depois de tomar seu café com chocolate ia caçar e pegar lenha para abastecer ainda mais de calor o lugar. Aquilo é o que deixava a casa aparentemente atraente. Todo o ambiente em volta dela era gelado e ao se aproximar as crianças se sentiam aconchegadas. 

Na noite anterior ao plano final de Hansel, ele fez sua irmã buscar a chave que o prendia a cela e deixou-a fechada mais com o cadeado solto. 

Assim que o velho saiu para caçar e buscar lenha e eles ficaram a sós com a velha ele pensou em investir sobre ela e joga-la dentro da caldeira borbulhante de cheiro doce, mas ela disse que aquele seria o dia em que ela cozinharia Hansel. Ele já estava gordo o suficiente para ser assado e Hansel que seria jogado dentro da caldeira. A velha pediu para Gretel provar um pouco da mistura que estava na caldeira e ver se estava doce o suficiente para que Hansel fosse jogado dentro dela. “Eu não sei medir isso senhora! Eu nunca fiz isso antes”, disse Gretel assim como Hansel a avia instruído a dizer para que a própria velha tivesse que ir a beira da caldeira para provar da mistura doce. 

Assim que ela se aproximou o bastante, Hansel saiu correndo e gritando em sua direção. Ele empurrou a velha dentro da caldeira. A velha gritava e esperneava enquanto derretia, mas não teria ajuda, pois os dois irmãos já estavam correndo livres para a porta e a escancararam. 

Para a sorte dos dois, o velho não estava por ali naquele momento e os dois irmãos continuaram correndo em direção à mata fechada, o mais oposto que eles conseguiram da casa de doces. Demorou alguns dias, mas eles conseguiram achar a casa onde moravam. Os animaizinhos que haviam retirado as pedrinhas do caminho haviam se sentido mal por ter quase matado os dois meninos e os conduziram em direção a casa que eles habitavam. 

Chegando lá, os dois irmãos não haviam mais notado a presença de Apolline e foram abraçar seu pai que disse que ela havia desaparecido havia alguns dias e não tinha retornado. 

- Agora iremos morar na cidade, meus filhos. Talvez ainda tenha o mesmo emprego, mas aquela megera não irá mais nos importunar, crianças! 

Os dois meninos agora estavam muito felizes por terem se safado do casal de velhos que os estavam aprisionando, por Apolline ter ido embora e por irem morar na cidade onde poderiam conhecer e brincar com outras crianças.
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