UMA VISITA INESPERADA
Zander olhava o mar, desta
vez de dentro da torre, pois a chuva era intensa demais para permitir que ele
subisse no telhado como de costume. O cheiro característico de lama se
misturava com o da maresia e muitas pessoas não teriam nenhum motivo para
gostar daquilo. Mesmo Zander, que gostava de dias nublados, não tinha como
ficar satisfeito com aquele volume exagerado de
chuva.
De fato ele estava um
pouco mais azedo do que o de costume e apenas a beleza dos movimentos das ondas
o mantinha ali. Ele suspirou ao pensar que ainda faltavam duas horas para os
treinos da manhã e lamentou que seu hábito tivesse feito com que levantasse
cedo como de costume, pois na noite seguinte teria um turno noturno para
cumprir na vigília das muralhas. Se virou e começou a descer as escadas,
decidido a voltar para casa e vestir roupas secas, pelo menos pelas horas que
lhe restavam.
Na saída da torre, ainda
no alto da muralha, ele abriu um sorriso largo ao dar de cara com a garota da
semana anterior. Seu cabelo estava preso de maneira displicente, de modo que
apenas evitaria que lhe caísse no rosto. Suas roupas estavam encharcadas e sua
expressão era de curiosa satisfação. Ela levantou os olhos e o viu parado em
sua frente.
— Olá Zander. Eu realmente
não esperava te ver aqui hoje.
Sua voz soava abafada, de
modo que ela se aproximou e se protegeu da chuva ao lado de Zander.
— Eu mesmo não faço ideia
do que vim fazer aqui hoje numa chuva dessas.
— Acho que somos dois
então...
Antes que a conversa se
desenvolvesse mais, os sinos do pátio central badalaram muito antes do habitual
e com uma intensidade que trazia um significado diferente, era um sinal de
alerta.
A garota ao ouvir o
barulho, correu escadaria abaixo, seguindo em direção à praça, aparentemente
perdendo de súbito o interesse pelo rapaz. Zander a seguiu, caminhando um pouco
mais atrás. Ele ouvia os gritos de Evar e Jorah instruindo todos a se dirigirem
até o pátio central e imaginou o que teria desencadeado o alerta, seria uma
incursão inimiga?
Quando chegou, espantou-se
ao ver os portões principais sendo levantados. Junto à torre central, Magnus se
escorava na parede com um cigarro na boca, protegido da chuva pelo beiral do
telhado da torre, de onde Zander calculava que ele teria um ângulo de visão
privilegiado de quem quer que fossem os recém-chegados. A garota se posicionou
um pouco afastada, na outra extremidade do Pátio e Zander parou próximo a ela.
Depois de alguns momentos
de espera, os portões finalmente se abriram por completo e por ele começaram a
marchar rumo ao interior do forte três figuras: Dois membros da Guarda dos
Crânios (ostentando em seus escudos e capas o brasão da família Birdeye, umas
das famílias fundadoras e responsável por maior parte da guarnição interna do
local) e entre eles, preso por correntes, um alto minotauro. Zander pensou que
aquele era um dos exemplares mais imponentes que já vira, passava facilmente
dos dois metros e meio, tinha poderosos músculos em todo o corpo e as grossas
correntes que o prendiam pareciam finas em seus punhos. Ao invés dos típicos
chifres que apontavam para cima, os dele apontavam para frente, como se
tivessem sido planejados para perfurar seus inimigos em uma investida.
Zander o observou
boquiaberto, mal podendo acreditar que alguém pudesse ser capaz de tamanha
insensatez como permitir a entrada de uma criatura como aquela no forte.
A pequena comitiva se
aproximou com o minotauro vindo na frente, como se conduzisse o grupo ao
contrário do que as correntes poderiam sugerir. Ele pisou na extremidade do
piso de pedra lisa que marcava o limite do pátio principal e parou olhando os
presentes, um a um, de maneira demorada. Zander viu Evar se aproximando e
cruzando os braços ao lado de Magnus.
O Minotauro então ergueu a
cabeça e começou a falar com sua voz gutural em seu idioma complexo.
— Apaitíste éna koinó me ton kapetánio Beatrice Corah!
Zander conhecia a língua
de Tapista, por isso entendeu o que o estranho quis dizer, ele requisitava uma
audiência com Beatrice Corah, a atual comandante do forte. Zander traduziu para
os que estavam próximos, mas antes que pudesse repetir a frase em voz alta para
que todos ouvissem, viu quando Amami Tsunayoshi, uma monja vinda da longínqua
terra de Tamura, tomou a frente e começou a traduzir para o restante dos
presentes.
— Ele requisita uma
audiência com a comandante!
Amami era atlética e seus
músculos eram firmes como rocha e muito bem definidos, usava calças largas de
tecido leve e uma camiseta sem mangas, seu cabelo era de coloração avermelhada
e caía de lado, vindo do topo de sua cabeça que era raspada nas laterais.
Todos olharam com espanto
diante do pedido e logo os cochichos se alastraram pelo local.
Evar torceu o nariz para aquilo,
claramente em desagrado:
— E qual seria o motivo? —
Sua voz ecoou os pensamentos da maioria dos presentes, incluindo Zander.
Amami traduziu e o
minotauro reagiu: uma bufada e uma cusparada no chão, bateu as sandálias no
chão, fazendo com que um dos guardas que o escoltavam perdesse brevemente o
equilíbrio. A jovem monja viu como todos reagiram, levando imediatamente as
mãos em direção ao punho das armas. Ela levantou as mãos em um gesto
conciliador e pediu calma a todos. O Minotauro a examinou por um tempo e com
uma respirada mais profunda, relaxou um pouco a tensão nos músculos.
— Écho érthei polýs drómos gia na sas synantíso. Akoúsei pollés istoríes
gia esás kai tha íthela na epivevaióso an eínai alithinés.
Amami balançou a cabeça
para os lados e o respondeu em voz baixa ainda na língua do invasor:
— Você sabe que isso não vai ser o suficiente para convencer os cidadãos
daqui...
— Cidadãos? Aqui eu só vejo escravos.
Amami respirou fundo e
tentou manter a calma. Se aproximou cuidadosamente, ainda com a expressão
impassível de antes.
— Você não está se ajudando...
O Invasor mais uma vez se
mostrou impaciente e deu outra bufada, exalando seu bafo quente em direção à
mulher impassível à sua frente.
— Chamem logo Beatrice!
— Eu vou passar a eles o que você falou, mas duvido que atendam seu
pedido. — Amami virou as costas para ele e falou em voz alta, dessa vez em
Valkar, para que todos compreendessem — Ele disse que ouviu histórias sobre ela
e gostaria de comprová-las.
— Histórias não trarão a
ele audiência alguma — Evar, ainda com os braços cruzados, o olhava fixamente.
Ele havia observado que Magnus estava armado, assim como uma boa parte da
guarnição, sabia que, se aquele intruso tentasse algo, poderiam contê-lo com
certa facilidade.
Amami olhava para o
veterano, como se esperasse dele alguma diretriz. Evar então andou em passos
firmes em direção ao minotauro e o observou por um momento, olho a olho. Zander
deu um passo a frente, se posicionando próximo a eles e então notou o quão alto
era Evar. O guarda tinha a pele negra e usava os cabelos presos em múltiplas
tranças, tinha uma cicatriz no olho direito fruto da guerra contra os taurinos.
De frente a ele, o Minotauro não parecia mais tão imenso, apenas... grande.
— Acho que talvez não tem
problema chamar a comandante.
Zander o olhou,
estreitando os olhos, com claro desagrado estampado na face.
— Talvez, devêssemos jogá-lo em uma masmorra. Ele já está de
correntes, seria até mais fácil.
— Mas não seria honroso de
nossa parte garoto. Ele veio de bom grado e aparentemente não machucou ninguém.
Zander deu de ombros e se
virou para os Guardas dos Crânios, que suavam embaixo de seus elmos, enquanto
seguravam as pesadas correntes. Zander identificou medo em suas expressões,
assim como na de grande parte das pessoas à sua volta. Os guardas que
escoltavam a fera eram ambos homens fortes e altos, mas mesmo assim pareciam
frágeis próximos ao minotauro.
Amami então se colocou entre
Evar e o Minotauro numa distância imprudentemente próxima.
— Então, posso te escoltar
ate lá?
O Minotauro bufou mais uma
vez, com sua baforada quente bagunçando o cabelo de Amami, que se limitou a
colocá-lo de volta em seu lugar de forma despreocupada e displicente. Vendo que
ela não se afastara, ele voltou a falar em seu gutural idioma.
— Prefiro ter com ela em ambiente aberto.
— Isso não será decidido por você. — Amami então se virou para os
dois guardas acompanhando o minotauro. Estampado no peitoral das armaduras dos
dois guardas estava o emblema da família Birdeye. — Vocês podem ir, eu assumo
daqui.
Os dois se entreolharam,
sem saber como reagir diante daquilo. A monja, apesar de respeitada, não
possuía nenhuma posição oficial no forte, portanto não tinha autoridade para
dar as ordens. Olharam para Evar e para Zander, que pareciam aceitar aquilo
como natural.
Diante da inação dos
guardas, Amami pensou que talvez eles gostassem de seguir hierarquias e
protocolos sociais, por isso inclinou levemente a cabeça na direção deles e
disse apenas “Obrigado”.
O que estava à direita do
minotauro engoliu seco e começou a falar com a voz hesitante:
— Estamos seguindo ordens
de Ethilda Birdeye e não podemos deixar o minotauro sozinho.
Amami sorriu
condescendente para os guardas e começou a olhar ao redor.
— Bom, se vocês olharem
agora, verão que nesse momento ele está ao contrário de sozinho.
Os dois olharam entre si
novamente e acenaram positivamente a cabeça, soltaram as correntes, que caíram
com um estrondo metálico no chão, e se afastaram alguns passos, levando as mãos
ao punho das espadas.
O Minotauro ao ver isso,
afastou as mãos com um movimento rápido, fazendo com que as correntes se
rompessem ante a força de seus músculos. Ele se espreguiçou a despeito das
reações dos presentes, todos se colocando em posição de alerta, e em seguida
cruzou os braços enquanto esperava. Amami virou de costas para o visitante e
encarou Evar com uma expressão de absoluta confiança.
— Bem, então podemos ir,
eu traduzo.
Zander então não pôde mais
se conter, deu passos decididos e se colocou à frente de todos, erguendo as
mãos à fim de chamar atenção de todos os presentes.
— Por que toda essa
precipitação? Ainda precisamos ouvir o que a comandante tem a dizer sobre toda
essa situação.
— Ah, claro, eu não sei
muito dessas coisas de hierarquia, mas vão em enfrente então, façam o que tenham
que fazer. — Disse Amami voltando a encarar o Minotauro, que permanecia
impassível.
— Muito bem então. — Evar
deu um passo atrás, tirando pela primeira vez a mão do punho da espada. — Vou
comunicar a capitã. Magnus, Zander fiquem de olho nele por enquanto.
Magnus suspirou de seu
lugar, tirou o cigarro da boca e bateu levemente com os dedos para tirar o
excesso de cinzas que se acumulavam na ponta. Em seguida ele se aproximou de
Zander e ficou alerta.
Amami se virou quando Evar
se dirigiu ao sul, em direção aos aposentos da capitã.
— Em sua terra você era um militar? — Quis saber ela, falando
novamente na língua do visitante.
— São poucos os que não nascem com esse destino em minha terra. E os que
fogem dessa vida são covardes.
Amami ponderou a resposta
por um tempo antes de continuar.
— Então pode ser que eu tenha uma pergunta ou duas para fazer, quando
tudo isso terminar. — Calado, o minotauro apenas concordou com um curto
aceno positivo da cabeça.
O Minotauro deu um passo
para o lado, seu movimento foi seguido de perto por todos os presentes, ele
virava a cabeça em todas as direções, analisando as estruturas e o efetivo
militar do qual o forte dispunha. Amami seguiu seu olhar e em determinado
momento algo chamou sua atenção. Magnus pareceu também ter visto um pequeno
tumulto em um local mais afastado, próximo ao dormitório dos plebeus e foi a
passos firmes em direção, Amami colocou a mão em seu peito para que ele
esperasse.
— Depois eu resolvo essa
situação, elas precisam ver como as coisas funcionam por aqui.
Magnus a ignorou, tirando
a mão da monja com um tapinha e seguiu na direção em que pretendia ir. Zander olhou
e viu do que se tratava: um soldado aos berros tentava afastar os civis do
local, especificamente duas garotinhas, que Zander sabia terem vindo com Amami
quando a mulher chegou a um ano atrás. Magnus se aproximou e deu um aperto firme
no ombro do homem.
— Por que está gritando
John? Não tem filho em casa não?
Ao se virar, o jovem
guarda fez uma posição de sentido para o espadachim.
— Perdoe-me senhor, acho
que me equivoquei.
— Apenas as trate com respeito.
As garotas deram uma
risada ao notar o embaraço do guarda e com um aceno de deboche elas os
acompanharam para longe do local. Zander ao contrário permaneceu onde estava,
com seus olhos fixos no visitante, com o restante de seus soldados ao seu lado.
Após 10 minutos de uma
espera silenciosa e tensa, sob a forte chuva que assolava o local, Zander ouviu
passos vindo da direção sul. Ele se virou e viu Evar acompanhado de uma mulher
alta vestindo uma armadura brilhante, de cabelos castanhos e presos com joias
reluzentes. Zander a viu e pensou que ela parecia nova demais para o cargo, não
mais do que quatro ou cinco anos. A pele pálida, que contrastava com os lábios
vermelhos, indicava que ela raramente saia de seu quarto, e assim era, desde
que seu marido morreu anos antes, fazendo com que a antes doce e agradável
Beatrice de Corah se transformasse pouco a pouco em uma mulher fria, reclusa e
pragmática.
— Que gostosa. — Zander
olhou para Magnus e se limitou a dar um sorriso discreto ante ao comentário displicente
do amigo.
Ela se aproximou, em seu
peito, um símbolo representando uma espada e uma balança sobrepostos, que a
identificava como uma paladina de Khalmyr, o deus da Justiça. Parada a uma distância
da criatura, ela pareceu examiná-la de longe. Zander a recebeu com uma
continência.
— Então senhor Zander, o
que temos aqui? — Disse ela olhando o rapaz com uma expressão indolente.
— Esse minotauro deseja
uma audiência com a senhora, Capitã. Ele entrou no forte escoltado por homens
sob as ordens de Ethilda Birdeye.
Zander e os demais
presentes viram quando Beatrice revirou os olhos em desgosto à menção do nome,
sem fazer nenhum esforço para esconder a reprovação.
— Esses Birdeye parecem
mais loucos a cada dia que se passa. — Ela suspirou e se voltou para o
visitante, se dirigindo a ele em seu próprio idioma.
— Muito bem senhor, aqui estou. O que gostaria de ter comigo?
O Minotauro a olhou com
atenção e de repente pareceu reconhecer a mulher à sua frente. Zander o
observou enquanto ele esticou sua coluna e deu três bufadas tentando controlar
a respiração.
— Depois de tanto tempo, finalmente a encontro, mulher.
Beatrice inclinou
levemente a cabeça tentando se lembrar de algo.
— Desculpe, mas acho que ainda não fomos apresentados.
— Você não lembra, mas eu nunca esqueci, nem por um segundo! —
Trovejou fazendo todos os presentes darem um passo cauteloso para trás. Zander
por reflexo desembainhou a espada em seu cinto, revelando os primeiros centímetros
da lâmina negra de sua espada.
Magnus foi menos sutil, retirando
com um movimento suave a espada de sua bainha e apontando para o visitante, que
batia os pés no chão.
— Diga ao hambúrguer que se não parar com isso eu irei espetá-lo. —
Disse, dirigindo-se a Amami.
— Você está eriçando todos aqui fazendo isso, não acho que seja sábio.
A monja, vendo que já
haviam oponentes demais para conter a criatura, se retirou na direção onde o
guarda havia levado as garotas. Magnus acenou para ela em agradecimento, mas a
monja não respondeu, aparentemente ofendida pela rudeza do rapaz momentos
antes.
O Minotauro ignorando tudo
a sua volta, respirou fundo controlando suas emoções.
— Me chamo Macedônios Wallhammer e venho de Tapista e nós temos uma história
— Ele a olhava com fervor, ao passo que ela parecia olhar através dele com um
vazio no rosto.
— Esse sobrenome me é
familiar, embora não lembre... — Ela pareceu refletir por um tempo e então
voltou a falar em Táurico fluente. — Você
deve entender o porquê de evitarmos lembrar de vocês por aqui, é uma lembrança
que nos machuca bastante.
Mais uma vez ele observou
ao seu redor, olhando os rostos de cada um ao seu redor. Olhou para baixo e em
seguida para o portão atrás de si.
Zander viu quando o
minotauro bufou e levantou seu poderoso martelo, cheio de escrituras e
marcações táuricas, Zander olhou para Beatrice que se colocou em guarda, Amami
acabara de voltar, acompanhada por uma pequena criatura, que voava em círculos
em volta da mulher.
Beatrice olhou para Zander
e Magnus e lhes sorriu cansada.
— A luta não será justa, você não conseguirá sua vingança. — O
Minotauro observava Beatrice e a ignorava
Amami viu Evar dando sinal
para os Guardas da Família Purplemoon nas torres acima, que de imediato sacaram
flechas e se colocaram em posição de espera.
— Então, antes de você morrer me responda. — Ela suspirou e continuou
— Se eu fosse até Tapista, vocês
conversariam com alguém como eu?
Ele a olhou com os olhos
vermelhos de fúria.
— Escravos como vocês não servem para conversar, servem apenas para
trabalhar sob o chicote de seus senhores minotauros!
O Gigante de chifres então soltou um urro de
raiva e correu com o martelo em punho na direção da paladina. Tudo foi muito
rápido, Zander correu para interceptá-lo, enquanto Magnus o acompanhava pelo
lado oposto. Magnus atacou mirando a perna do minotauro, que mesmo com o corte
profundo não diminuiu o passo. As flechas zuniram de cima das torres ao passar
próximas de Zander e se cravarem fundo na coxa da criatura. O jovem oficial
conseguiu ultrapassá-lo e se preparou para um ataque diagonal, com sua espada
de obsidiana em mãos ele deu um passo firmando o pé, girou o punho e mirou na
costela exposta da criatura, a lâmina se aproximava mortalmente do atacante,
quando uma pedra solta no chão rolou fazendo com que ele se desequilibrasse e
errasse o golpe. O Minotauro não parou e Zander sentiu o gosto de seu próprio sangue, quando a poderosa coxa o acertou na boca,
atirando-o para o lado. Ele rolou no chão tentando se recuperar e pode apenas
ver um borrão que parecia ser um raio acertando o Minotauro nas costas. A
criatura urrou de dor e chegou desequilibrado até a capitã, que com um passo
gracioso para a esquerda desviou de seu pesado martelo e, em um piscar de olhos,
desembainhou sua espada e passou a lâmina no pescoço do adversário.
