por Deskridge
Já havia quinze homens meus no peito de um homem morto. Sou Capitão Dempter e minha tripulação está sendo atacada no Triângulo das Bermudas. Meu navegador Pernas-de-Carvalho Forson cometeu um pequeno erro de calculo e agora estamos enfrentando uma tripulação de mortos de um barco que saiu de dentro da água. Chance de vitórias? O que é vitória? Mas um capitão com honra nunca abandona sua tripulação, e a cima disso, nunca abandona seu navio. Morrerei enquanto vejo minha tripulação ser rasgada por piratas-caveiras e gritar, e suas tripas voarem e seu sangue jorrar e sua vidas esvair.
– Vamos Primeiro-Imediato Bulldog Cinza! Ataque esses zumbis do mar até que seu braço se despeda-se e ainda assim, ataque com o outro. Mexam-se molengas, ou pretendem morrer tão facilmente? - Eu mesmo lutava com dois ao mesmo tempo quando descobrir como derrubar esses demônios do mar. - Vamos seus imbecis! Arranquem a cabeça de seus corpos e eles não mais se levantaram!
Ouve uma pequena reviravolta nesse momento e meu pequeno contingente, 20? 30 homens? Todos atacavam aquela tripulação fantasmagórica de mais de mil zumbis dos mares. Todos os meus homens que morriam se transformavam em bestas aquáticas com seus rostos cobertos por algas postas por seus algozes. Mas depois que minha tripulação descobriu seu pequeno truque o jogo virou. Meu primeiro-imediato ficou eufórico.
– Avante, homens! Pagarei duas rodadas de rum pro primeiro, segundo e terceiro homens que me trouxerem 50 dessas cabeças hediondas!
A euforia passou para todo o resto da tripulação. Eles eram realmente muitos, mas agora nossa sagacidade e perícia estavam novamente apuradas. Lutávamos por nossa vida e pelo nosso rum. Saqueávamos, matávamos,roubávamos, cantávamos, sempre a facturar e éramos felizes nos tempos dos mares, e todos os nossos pecados estavam sendo pesados naquele momento. Os piratas mais dignos seriam poupados daquela provação dos mares. O diabo clamava por nossas almas, mas não morreríamos essa noite. Precisávamos das raparigas da próxima cidade. Precisávamos roubar mais. Queríamos vencer e ninguém iria nos parar.
– Vamos meus palermas! Peguem os canhões Testa suada, Titereiro Flint e Língua de Cobra! Matem o máximo de zumbis que conseguirem. Quero ver esse convés tingindo de cinza osso o quanto antes. Trarei quantos prostitutas nosso ouro e o ouro que saquearemos desses monstros conseguirmos e você ficaram com as melhores.
– Sim, capitão. - Responderam os três com os olhos brilhantes e sorrisos gigantes.
Continuamos nossa batalha até que começamos a ver as bolas de canhão acima de nossos chapéus e ossos espalhados por todos os cantos. Urrávamos com a vitória iminente. Derrota? O que é derrota? Vitória sem dificuldade é triunfar sem glória. Impomos nosso ritmo. A batalha estava parelha agora. Roubamos um navio da marinha armado com milhões de bolas de canhão. E todas elas estavam estraçalhando ossos de zumbis nesse exato momento.
– Pois sim! Continuem, atiradores. Nossa sorte está mudando. Mataremos essas bestas hediondas e enviaremos todas de volta ao mar ou eu não sou o Capitão Archibald Dempter! Lutem com suas entranhas meus homens. Veremos novamente a luz do dia depois dessa noite sangrenta. Verão suas esposas, abraçaram seus filhos. Lutem por suas almas.
Cantávamos e cantávamos. Estocadas, rasgadas, perfuradas. Nada era feito sem que uma nota saísse da nossa boca. "Piratas destemidos, que desbravam os sete mares, que roubam suas mulheres, que furtam suas peles."
Ah, esqueci de nos apresentarmos! Sou seu Capitão Dempter e minha barba castanha-escura demonstra minha jovialidade e força. Meus olhos bi-colores, azul e preto, demonstram minha fúria para com o mundo e intimidam meus inimigos. Minhas perna de pau é pedaço de madeira de pota reta com uma pata de coruja gigante que faz um som de ossos de zumbis bucaneiros sendo triturados pelos meus atiradores.
Bulldog era maior que um cavalo de pé. Ele comia cavalos selvagens, e isso sempre assustou minha tripulação, mas o tornava um pirata valoroso. Ele era albino e tinha dois negócios na cara que ele chamava de barba. Não tinha um olho e o tapa-olho dele era adornado com ouro e percorria toda a volta do crânio. Mas acredito que ninguém vá tentar roubar dele.
O outros não importam, porém são eles meu navegador Pernas-de-Carvalho Forson, meu timoneiro Olho-Torto Sullivan, meus atiradores Testa suada, Titereiro Flint e Língua de Cobra, e o resto do contingente que ainda vivia eram Boot Harrold, Barracuda Selvagem, Lobo de Sangue, Crânio Exposto, Lâmina Torta Bill, Diamante do Mar Morgan, Peixe Queimado, Sem-Orelha Patrick, o Pulador Dregg, Troncudo Jeff, Barracuda Vermelha, Cara de Ceroulas Dawkins, Gaivota Louca Norton, Formidável Jankins, Monocelha Jeff e Meia Pêra Conroy, que tem uma história muito boa, mas fica para outros mares.
Isso foi o que restou da minha tripulação, mas na próxima parada encherei meu contingente novamente. Eu teria que me preocupar no momento com o navio deles que ainda estava lotado.
– Mirem no navio deles agora, seus paspalhos! Gastaram todas as bolas aqui. Por aqui nós nos viramos. Se concentrem em acabar com essa praga. Os enviaremos de volta ao cacifo de Davy Jones, de onde nunca deviam ter saído! - Me joguei em cima de mais dois, das quais logo dei cabo e não parava. - Vamos Bulldog, destrua esse ossos idiotas!
– Sim, capitão. Não pararei até que eu esteja satisfeito ou com sede. - E ele não parava. Sua espada triturava três ossos ambulantes a cada investida e os faziam ir alimentar os peixes como se fossem um Jack Ketch.
– Muito bem dito, Bulldog! Você honra o Cólera dos Sete Mares com sua bravura! Não me envergonhe e mate tantos quanto poder.
– Pelo meu capitão! - Enquanto gritava ele não parava e os zumbis sentiu sua fúria, e a minha e a da minha tripulação que não sofreu mais baixa.
A luta se via ao fim quando meus atiradores derrubaram o navio inimigo, já sem zumbis. E todos se exaltaram quando viram retornando de lar pelas cordas Formidável Jankins, Sem-Orelha Patrick, Pulador Dregg e Lâmina Torta Bill com todo o ouro da outra embarcação e cada um com uma coroa de ouro na cabeça e jóias no pescoço. Ficamos todos excitados pela perspectiva de rum e putas que estavam por vir. Mas nada nos excitava mais do que a chance de mais uma briga na próxima taverna. Assim que o capitão veio se render sua cabeça foi cortada e o corpo atirado ao mar para poder afundar junto com sua embarcação.
– E cá estamos meros ouvintes da próxima taverna! Espero que tenham se divertido pois já temos que subir e nos divertimos com essas belezinhas aqui. - Peguei pela cintura duas meretrizes, uma ruiva e uma loira e já ia subindo quando ouvi um grito de descrença de "Pare de ser mentiroso, seu desgraçado!"
Apesar de não ser mentira já ia me virando sorridente com a perspectiva de uma boa briga antes de me atracar com as vadias, mas fui impedido pela porta que se abria e entrava aquela tripulação de zumbis com seu comandante com uma cabeça diferente, mas com a mesmas roupas clamando por vingança dos únicos que escaparam dele.
– Isso é prova suficiente, imbecil? - Meus homens estavam bêbados mais todos se levantavam! - Homens eles querem sua desforra, o que os daremos?
A resposta foi uma só! - OUTRA MORTE!
